
Texto: Mária Célia Passetti*
Servidores, associados, funcionários, apoiadores da Assufemg e membros da comunidade universitária promoveram nesta quinta (9), um ato público contra a demolição completa da sede da entidade e o encerramento do Restaurante Pelego’s.
Em recepção aos membros do Conselho Universitário (CONSUNI), foi ocupado o saguão da reitoria, pouco antes de começar a reunião que teria esta pauta em discussão. Os manifestantes mostraram seu repúdio e apresentaram os argumentos contrários à proposta visando destacar a importância da Assufemg dentro da UFMG: sua função social, sua história e o cotidiano das pessoas que o constroem.
A proposta inserida no Plano Diretor da UFMG prevê, no lugar da estrutura da Assufemg, a construção de um monumento comemorativo. A justificativa apresentada é de que a edificação “não apresenta qualquer exemplaridade e/ou excepcionalidade”.

Cristina del Papa, presidente do SINDIFES, mostrou seu apoio à Assufemg, falando sobre os fortes laços de pertencimento dos membros da comunidade. Ela lembrou que a Associação traz as marcas de sua própria história enquanto espaço de convivência, organização, acolhimento e resistência dos servidores técnico-administrativos da UFMG.
Em seguida a palavra foi aberta aos servidores presentes que se mostraram indignados com a forma como a proposta vem sendo conduzida.
Várias pessoas se manifestaram, mostrando-se indignadas com vários pontos da proposta, inclusive o de conceber o Restaurante Pelego’s como um “lugar de encontro de determinado segmento da comunidade universitária”. Foi unânime a opinião que a proposta do Conselho desconhece a pluralidade deste espaço, que congrega todos os servidores técnicos/Administrativos, docentes, alunos e toda comunidade acadêmica.
A proposta em pauta no CONSUNI
Após a grande mobilização em prol da Assufemg, a proposta foi retirada de pauta do Plano Diretor, ficando definido que será realizada uma consulta pública junto a comunidade universitária sobre o documento e que ele retornará para discussão em agosto deste ano.
O posicionamento da Assufemg
O presidente da Assufemg, Luiz Geraldo de Oliveira, afirmou que a proposta de transferência da entidade, sem definição sobre o novo espaço, as condições de funcionamento e as garantias de continuidade das atividades, representa uma ameaça à atuação da Associação, à sua identidade e à representatividade dos servidores técnico-administrativos da UFMG.
Segundo ele, a medida foi apresentada sem uma solução concreta para a entidade. “Não há uma proposta de solução. Há uma proposta de demolição pura e simples”, declarou, ao criticar a ausência de um debate mais amplo com a comunidade diretamente afetada.

A Assufemg também repudia a forma como a proposta foi construída e encaminhada. De acordo com a entidade, não houve consulta prévia aos servidores, diálogo com a Associação nem avaliação do impacto social de uma medida dessa dimensão. Para a direção, reduzir uma instituição com mais de 50 anos de história a um critério exclusivamente arquitetônico revela uma visão limitada sobre o papel que espaços como esse desempenham dentro de uma universidade pública.
Luiz Geraldo de Oliveira destacou ainda que a importância da Assufemg vai muito além de sua estrutura física. “Um monumento não marca consultas médicas, não serve um prato de comida no intervalo do trabalho, não acolhe o servidor que precisa de orientação ou de um espaço onde se sinta parte de algo, não integra os estudantes, os trabalhadores terceirizados e os visitantes que, todos os dias, fazem do Pelego’s e da Assufemg parte viva do campus”, afirmou.
Ao comentar as consequências de uma eventual demolição, o presidente disse que os impactos seriam profundos. Segundo ele, a medida poderia resultar no encerramento de serviços médicos e odontológicos acessíveis a centenas de associados, dependentes e integrantes da comunidade universitária, além do fim de um espaço de alimentação democrático e plural e do enfraquecimento da capacidade de organização e representação dos técnico-administrativos.
Ele também ressaltou o valor simbólico e histórico da entidade. “Estaríamos falando, sobretudo, do apagamento de uma memória coletiva construída ao longo de mais de cinco décadas de lutas. Não se preserva memória eliminando o que ainda está vivo. Não se fortalece uma universidade enfraquecendo seus espaços de convivência e representação”, reiterou.
Ao resumir o posicionamento da entidade, Luiz Geraldo reforçou que a defesa da Assufemg é também uma defesa da vida universitária. “A UFMG é uma instituição pública, plural e democrática. Essa democracia também se constrói nos espaços onde as pessoas se reconhecem como parte da universidade, onde se encontram e constroem vínculos. Por tudo isso, a posição da Assufemg é clara: a nossa história deve permanecer e o nosso espaço deve ser respeitado.”
*Maria Célia Passetti é estagiária, estudante de 8º Período de Jornalismo da UniCesumar
(Sob Supervisão de Flávio Brunelli, assessor de comunicação da Assufemg)
